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Literatura

Olhos cansados de conversar com a lua

Esfarela o beijo de alguma noite passada. No banco da praça danço com as curvas das árvores enquanto os pássaros parecem conversar. As flores de chanana estão gentis oferecendo-se à ternura; quase consigo ver o brilho dos olhos de suas pétalas. Os olhos estão cansados de conversar com a lua. Há dias que perambulo pelas cortinas de desejo e abismo. Sinto que o beijo de alguma noite passada se esfarela. Estou fixo como o banco da praça vendo o tempo passar, mas nada está parado. A guerra me atinge, os que morrem e os que com bravura enfrentam os mísseis. O petróleo e as flores de chanana compõem o mesmo verso das noites sem fim e da esperança das manhãs. Não sei me despedir mesmo quando o beijo de alguma noite passada se esfarela. Sobre o autor: Alexandre Lucas...
Terreiro da Lua
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Terreiro da Lua

Alexandre Lucas* Escrevo um livro de mentiras no tempo da verdade. Deve ser provisória, por vezes intransigente, a verdade é que não entendo nem das razões e muito menos das mentiras.  O amor é sacolejo de invenções, é tão subjetivo e se preenche de condições objetivas para se inventar. Estou nas primeiras páginas. Confesso: escrever nas nuvens é fazer rebuliço. Os sentimentos são escritos cheios de reticências e atrevimentos. Escrevo livros, híbridos de lorotas e histórias comestíveis. Escrever é mandigar, jogar no caldeirão pernas com asas, beijos com estrelas, gritos molhados e noites enlouquecidas. Afinal, a escrita não precisa ser bem comportada e muito menos do lar, ela pode transitar nas encruzilhadas das ruas e das luas, dos incendiários e dos desconhecidos. Escrev...